Artista Estêvão Silva - Estevao Silva (1844-1894)
Biografia Estêvão Roberto da Silva - (Rio de Janeiro, RJ 1844 - idem, 1894). Negro, possivelmente filho de escravos, Estevão Silva matriculou-se em 1864 na Academia Imperial de Belas Artes, onde foi discípulo de Victor Meirelles, Agostinho José da Mota e Jules le Chevrel. Praticante de diversos gêneros de pintura, é hoje talvez mais lembrado por sua produção de naturezas-mortas. Sabe-se ainda que Estevão Silva trabalhou como professor do Liceu de Artes e Ofícios e que, em 1890 recebeu o Prêmio Aquisição na Exposição Geral de Belas Artes. O historiador José Roberto Teixeira Leite descreveu nos seguintes termos uma das passagens mais conhecidas da vida do pintor:

A mais antiga referência a Estevão remonta a 1879 a um seu ato de altiva rebeldia, perante o próprio Imperador Pedro II, na sessão solene de entrega de prêmio àqueles que se distinguiram na Exposição Geral da Academia, o pintor levantou-se para protestar contra a premiação que lhe coubera, dizendo-se injustiçado. O escândalo foi enorme, tanto que, quase um ano mais tarde, a 20 de fevereiro de 1880, uma comissão nomeada pelo diretor para apurar o incidente aplicava a Estevão a pena de suspensão por um ano, reconhecendo que praticara "um atentado sem exemplos nos anais da Academia", da qual só não foi expulso porque a mencionada comissão, após lhe ouvir a defesa, convencera-se de que agira "por acanhamento da inteligência". Em sua autobiografia, Antônio Parreiras, que assistiu ao acontecimento descreve o fato:

- Estávamos convencidos de que o primeiro prêmio seria conferido a Estevão Silva. Ele trêmulo, comovido, esperava. A sua cabeça pendeu, seus olhos se encheram de lágrimas. Recuou, e foi ficar atrás de todos. Íamos nos revoltar - Silêncio! Eu sei o que devo fazer. Tão imperiosamente foram ditas estas palavras, por aquele homem que chorava, que obedecemos. Um por um, foram sendo chamados os premiados. Finalmente, o nome de Estevão Silva ecoou na sala. Calmo, passou entre nós. A passos lentos atravessou o salão. Aproximou-se do estrado, onde estava o Imperador. Depois, belo oh! muito belo! - aquele negro ergueu arrogantemente a cabeça e forte gritou: Recuso!
Fonte DezenoveVinte