| Biografia |
Augusto Müller
(1815 - ? )
Nascido em Baden (Alemanha) e falecido no Rio de Janeiro.
Chegando ao Brasil ainda criança, matriculou-se em 1829 na Academia Imperial de Belas-Artes, tendo sido dos mais destacados discípulos de Debret.
Premiado na exposição de alunos de 1834, foi, no ano seguinte, nomeado lente, por concurso, da cadeira de Paisagem, passando a catedrático em setembro de 1851, com a aposentadoria de Félix-Emile Taunay.
Retratista e paisagista
Augusto Müller praticou a pintura histórica (Jugurta no fosso de Túlia é sua obra mais conhecida no gênero, tendo-lhe valido a Ordem da Rosa quando exposta), o retratismo (Grandjean de Montigny, Retrato de Correia dos Santos, Mestre de uma Sumaca).
Foi também um paisagista, destacando-se nesse último gênero as vistas do Rio de Janeiro que, entre 1835 e 1840, executou por encomenda do Cônsul dos Estados Unidos da América na capital do Império, e que lhe garantem uma situação privilegiada entre os pioneiros da pintura paisagística no Brasil.
Homem de temperamento altaneiro e mesmo arrogante, pouco afeito à mediocridade do ambiente cultural em que viveu, era natural que se retraísse e mesmo que, ao fim da vida, abandonasse de todo a pintura.
A dupla personalidade
Gonzaga Duque, estudando-lhe os rasgos da personalidade, dele traça um perfil doloroso:
«Diante dessa obra, tão pequena em quantidade quanto vasta em boas qualidades, naturalmente pergunta-se pelo artista. O artista... como é doloroso dizer!...
«O artista foi corrompido pelo homem. Esta metade do ser que o distinguia deixou de existir, porque um ceticismo profundo, transcendente, apagou de sua compreensão a idéia de um destino a cumprir.
«A natureza dotou-lhe com um temperamento rebelde e nervoso, a educação formou o seu caráter arrogante e despótico, a sociedade trocou as suas ilusões por desenganos e lágrimas.
«O homem era forte, porém não sabia sofrer. E, quando no seu espírito enobrecido pelo estudo, a imaginação criadora alentou-se como a águia que aspira o oxigênio das alturas, estendendo as asas para o infinito, confrangeu-se-lhe o coração e a palheta tombou de suas mãos convulsas. O desprezo dos contemporâneos tinha-lhe saturado a alma de ódio e fel.»
Sumiu no ostracismo
Esse ressentido, esse amargurado, lecionaria até 1860 na Academia, tendo-lhe cabido formar a entre outros Sousa Lobo; depois, jubilado, nunca mais se ouviu falar dele.
Fonte: CD-Rom «500 Anos de Pintura Brasileira»
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Texto do livro de Laudelino Freire
"1816-1916 - Um Século de Pintura"
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Primeira medalha - Paisagem
Natural de Baden, Alemanha, nascido em 1815, veio em tenra idade para o Brasil, onde fez a sua educação artística, residiu e faleceu. Matriculado na Academia Imperial de Belas Artes a 20 de novembro de 1829.
Em 1831, na primeira exposição pública de prêmios aos alunos, alcançou a grande medalha de paisagem e foi sempre um aluno laureado.
Foi nomeado, mediante concurso, lente substituto da cadeira de paisagem, por decreto imperial de 26 de março de 1835, tomando posse a 22 de abril do mesmo ano, passando a catedrático da referida disciplina, com a aposentadoria de Felix Emílio Taunay, por decreto de 1º de setembro de 1851, função que exerceu até 1860, ano em que se jubilou.
Além de paisagista, foi pintor histórico e retratista. Sem nunca ter saído do país, foi o mais notável artista de sua geração e um dos mais notáveis artistas brasileiros. A sua arte é larga, vigorosa, brilhante e revestida de inconfundível energia de toque. Quer na de gênero, quer na de paisagem ou na pintura de retrato, os seus trabalhos revelam sempre a segurança de um pincel de mestre.
Um gênio esquisito
e retraído
Era um gênio esquisito e retraído. De uma feita, endereçando-lhe Porto-alegre, então diretor de algumas reflexões acerca de seu programa de ensino,
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