Título A arte que sai das ruas (e das paredes da galeria)
Matéria
Nova exposição do Coletivo Monstra traz quadros com temas polêmicos e propõe reflexão sobre a arte

- Fortaleza/CE - Em uma galeria de arte, determinado quadro lhe chama atenção. Você paga por ele, pega a obra, põe debaixo do braço e leva para casa. No dia seguinte, precisa explicar às visitas o que a imagem de uma mulher devorando baratas faz na sua parede.

Certamente, essa cena passou pela cabeça dos integrantes do Coletivo Monstra, que organizaram a exposição "13 obras que você não colocaria na sala da sua casa". A abertura acontece hoje, no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBNB). Com título autoexplicativo, a mostra reúne uma série de quadros com motivos polêmicos - além do inseto que virou almoço, tem criança com lábio leporino, frases desestimulantes e outros elementos peculiares.

Simultaneamente, o evento também ganha as ruas, em uma intervenção iniciada há duas semanas. Nessa etapa, em torno de 100 quadros são alocados em casas abandonadas ou demolidas, terrenos baldios e outros pontos chamados "cegos" ou "invisíveis" pelos artistas do Monstra. As obras ficam à disposição de quem enxergá-las. Passou, viu, levou.

A intenção do grupo é discutir o tipo de produção artística considerada "aceitável", assimilada e aprovada pela população, e fazer com que o cidadão repense seus conceitos sobre a imagem ao ter a opção de adquiro-la no suporte de um quadro - objeto instituído universalmente como obra de arte.
"O próprio título diz, não são coisas que normalmente se pendura na parede. E o sentido é justamente esse, questionar até que ponto a arte é assimilada como conteúdo de reflexão ou apenas decorativo", avalia Weaver Lima, integrante do Monstra. O coletivo é formado ainda por Franklin Stein, Ise Araújo, Jabson Rodrigues, Everton Silva, Mychel TC, Lui Duarte e Saulo Tiago.

Retornos

"13 obras" chega em Fortaleza depois de passar por Juazeiro do Norte (CE) e Teresina (PI), no segundo semestre de 2011. "A ideia surgiu em 2010, quando pensamos em criar uma exposição que mexesse com o espaço da rua. Pensamos e chegamos a esse formato, porque ele brinca com tudo, desde a lógica de aquisição de obras até o que exatamente é considerado arte", ressalta Weaver.

Nas temporadas de Juazeiro e Teresina, os quadros da exposição foram colocados em praças, pontos de ônibus e outros espaços de passagem. Em Fortaleza, os alvos foram locais abandonados. "A exposição já chegou conhecida em Fortaleza, as pessoas comentam pelas redes sociais. Então decidimos mudar os espaços nas ruas, para dificultar um pouco a localização das obras", esclarece Weaver Lima.

"Também é uma maneira de chamar atenção para esses espaços ´invisíveis´ na cidade, pelos quais muitas vezes passamos sem atenção. Em resquícios de casas demolidas, por exemplo, penduramos os quadros onde era a parede da sala", complementa.
Influenciado pela estética da pop arte, o Monstra vem se destacando como um dos coletivos mais ativos do cenário artístico de Fortaleza. Entre os eventos que realizou estão a "Monstra Comix", no Sobrado Dr. José Lourenço, mostra internacional que reuniu mais de 40 artistas de histórias em quadrinhos independentes do mundo; a feira de arte "Monstra Feiramassa"; trabalhos na Casa Cor Ceará de 2009 e 2010; e "Purgatório Paraíso Inferno", também no Sobrado.

Mais informações
Abertura da exposição "13 obras que você não colocaria na sala da sua casa". Hoje, às 18 horas, no CCBNB (Rua Floriano Peixoto, 941, Centro), Gratuito. Visitação até 18 de março. Contato: (85) 3464.3108

Fonte: Diário do Nordeste

Data 18/02/2012

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