- Rio de Janeiro - A Galeria de Arte IBEU abriu as exposições "Como me tornei insensível", de JORGE SOLEDAR, e "O que nos une, o que nos separa", de PAULA HUVEN, ambas com curadoria de Fernanda Lopes. As mostras estão integradas ao FotoRio 2013 - Encontro Internacional de Fotografia do Rio de Janeiro e ficarão abertas ao público até 7 de junho, das 13h às 19h, de segunda a sexta, com entrada franca.
Em sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro, Jorge Soledar reúne na Galeria de Arte Ibeu quatro trabalhos realizados entre 2012 e 2013, dois deles inéditos. Como me tornei insensível, um dos sete projetos premiados no Edital de exposições do Ibeu 2013, apresenta as reflexões mais recentes do artista, radicado no Rio de Janeiro, considerando uma iconografia de sujeições através de jogos com a imagem do outro entre atos e fotografias com modelos vivos".
"Pedi a palavra emprestada de outro para designar a mostra como título de um retrato - elemento que une os trabalhos. A frase "como me tornei insensível" foi primeiro dita por uma pessoa encarcerada em prisão norte-americana, em entrevista que assisti ano passado. E pelo contrário, por considerar-me uma pessoa muito sensível, ouvir essa frase me tocou por corresponder a algo estranho mas familiar quando me "insensibilizo" ao fazer do outro minha própria escultura. É em geral em torno do desejo pela posse do outro e das imagens que disto derivam (tão conflituosas e sensíveis a todos nós) que a exposição consiste. Neste sentido, ainda para falar em termos de posse, não se trata apenas de um dilema meu, mas sobretudo de compartilhar um traço de sombra do humano. A noção de sujeição - presente no conceito da mostra - corresponde à estranha humanidade de estar então à sombra das sombras do outro, e ao mesmo tempo, de estar fisicamente cedido enquanto estatuária invertida a quem age - assim como eu, da posse momentânea de alguém como escultura viva ou autorretrato fixado no corpo", diz Jorge Soledar.
Jorge Soledar nasceu em Porto Alegre, em 1979, e vive no Rio de Janeiro. É doutorando e mestre em Artes Visuais pela UFRJ e bacharel em História, Teoria e Crítica de Arte pela UFRGS. Realiza cursos de pintura e teoria em escolas informais, como Atelier Livre e Arena em Porto Alegre. Em 2011 foi premiado pelo ARTE-Creative (França), e em 2009, foi destaque na Bolsa Iberê Camargo e selecionado com o Grupo Mergulho pelo Rumos Itaú Cultural "Trilhas do Desejo".
Em o que nos une, o que nos separa a artista mineira PAULA HUVEN apresenta sua produção realizada no Rio de Janeiro, entre 2007 e 2012. Essa é a primeira exposição individual de Paula Huven no Rio de Janeiro e foi um dos sete projetos premiados no Edital de Exposições do Ibeu 2013. Os quatro trabalhos que fazem parte da mostra revelam o pensamento da artista acerca da fotografia, utilizada como um dispositivo para criar encontros e relações. A artista usa a fotografia não só para produzir imagens, mas para lançar olhares entre as pessoas e a câmera e, consequentemente, entre elas e si mesmas.
O trabalho que dá nome à exposição reúne uma série de retratos feitos em longa exposição, utilizando filmes vencidos há seis anos. As relações com as pessoas fotografadas se desenvolveram enquanto os traços desse mesmo tempo eram depositados nos filmes vencidos. Os retratos surgem como uma espécie de licença para entrar nas casas das pessoas, a partir da sensação de ausência de encontros no Rio de Janeiro nesses espaços de maior intimidade.
Já em Relações (2007), as relações triviais vividas no comércio local do Leme, bairro onde a artista morava, são o mote para a troca de retratos em Polaroid com os comerciantes, que tecem um mosaico para seu reconhecimento na nova cidade. O jogo entre fotógrafo - fotografado é relançado em Encontro com autorretrato, em que a artista registra seu próprio encontro com sua representação - a pintura de seu autorretrato feita por uma amiga. Este é o jogo que a artista sempre nos propõe: o embate entre sujeito-imagem.
O livro-objeto Insensíveis traz paisagens narradas, fotografias que não foram sensibilizadas à luz e existem através das palavras, para serem imaginadas a cada leitura, enquanto o livro é folheado e cada pessoa tenta ver as palavras nas páginas translúcidas.
Paula Huven nasceu em Belo Horizonte, em 1982. Mestre em Arte e Cultura Contemporânea (UERJ, 2012), participou do Programa Aprofundamento 2012 da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Exposições: Abre Alas 8, Galeria A Gentil Carioca (RJ, 2012); II Semana da Fotografia de Belo Horizonte (2012); ao mesmo tempo (Sala Arlinda Correa Lima, Palácio das Artes, BH, 2009), Bebel Tiquira (EAV Parque Lage, RJ, 2009), entre outras. Foi assistente de Miguel Rio Branco [2008 - 2010] e trabalha como fotojornalista colaborando para Folha de S.Paulo, O Globo, O Tempo e Estado de Minas.
GALERIA DE ARTE IBEU - FotoRio 2013
"Como me tornei insensível" - JORGE SOLEDAR
"O que nos une, o que nos separa" - PAULA HUVEN
Exposição: Até 7 de junho
Horário de visitação: segunda a sexta, de 13h às 19h - ENTRADA FRANCA
Endereço: Av. N. Sra. Copacabana, 690 - 2º andar - Copacabana
Tel.: 3816-9400
Fonte: Das Artes