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Artista : Jose Ferraz de Almeida Junior - Almeida Jr
Algumas Obras do artista...

                       
 
   
 
 
 
                                   
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BIOGRAFIA
 
ALMEIDA JÚNIOR, José Ferraz de
(1850, Itu, SP - 1899, Piracicaba, SP)

Em 1869 transferiu-se para o Rio de Janeiro com a ajuda do padre Miguel Correa Pacheco, primeiro incentivador de sua carreira. Ajudado também por parentes e amigos, matriculou-se na Academia Imperial de Belas Artes, onde estudou com Jules Le Chevrel e Vítor Meireles. Na Academia conquistou três menções honrosas, quatro medalhas de prata e duas de ouro. De volta a Itu, montou ateliê e passou a lecionar desenho. Dom Pedro II, em viagem que fez a São Paulo (1875) para a inauguração da Estrada de Ferro Mogiana, entusiasmado com o retrato que o artista realizou do Comendador Antônio de Queiroz Teles, concedeu-lhe uma bolsa para estudos na Europa. Em 1876, Almeida Júnior matriculou-se na Escola de Belas Artes de Paris, onde freqüentou as aulas de Alexandre Cabanel. Obteve ali medalha de ouro. Ainda em Paris, participou do Salão dos Artistas Franceses (1880) e, depois de uma temporada em Roma, regressou ao Brasil. No Rio, expôs sua produção européia em individual de 1882 (Academia de Belas Artes). Sergio Milliet comentou a seu respeito: "Juntamente com Vítor Meireles, de quem foi discípulo, e muito mais que Pedro Américo, Almeida Júnior tem para a pintura nacional a importância de um marco divisório. Com ele se afirma a nossa liberdade artística e por ele conquistamos um lugar na história da arte contemporânea."

Referências: A arte brasileira (Lombaerts, 1888, 2. ed. Mercado de Letras, 1995, introdução e notas de Tadeu Chiarelli) e Impressões de um amador: textos esparsos de crítica 1882-1909 (Fundação Casa de Rui Barbosa/UFMG, 2001, organização de Júlio Castañon Guimarães e Vera Lins), de Gonzaga Duque; Pintores e pinturas (Martins, 1940) e Pintura quase sempre (Globo, 1944), de Sergio Milliet; Primores da pintura no Brasil (1941), de Francisco Acquarone e A. de Queirós Vieira; Pequena história das artes plásticas no Brasil (Nacional, 1941), de Carlos Rubens; Artistas pintores no Brasil (São Paulo, 1942), de Teodoro Braga; História da pintura no Brasil (Leia, 1944), de José Maria dos Reis Júnior; A cultura brasileira (3.ª ed. Melhoramentos, v. 2, 1958), de Fernando de Azevedo; Almeida Júnior: vida e obra (Art, 1979); História geral da arte no Brasil (Instituto Walther Moreira Salles/Fundação Djalma Guimarães, 1983), coordenação de Walter Zanini; 100 obras Itaú (MASP, 1985); 150 anos de pintura no Brasil: 1820/1970 (Ilustrado pela coleção Sergio Fadel, Colorama, 1989), de Donato Mello Júnior, Ferreira Gullar e outros; Cronologia das artes plásticas no Rio de Janeiro: 1816-1994 (Topbooks, 1995), de Frederico Morais; Arte na América Latina (Cosac & Naify, 1997), de Dawn Ades.


fonte : CDA em junho/2007
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ALMEIDA JÚNIOR
( José Ferraz de Almeida Júnior )
Itu/SP, Brasil, 08/05/1850
Piracicaba/SP, Brasil, 13/11/1899
Pintor, desenhista e professor.
Assinava ALMEIDA JOR. e A. JOR. (c. 1890).
Nota Biográfica
"O meio familiar, em que transcorria sua infância, era o ambiente simples da pacata família brasileira, ambiente carinhoso, cheio de afeto, mas desprovido de qualquer preocupação de gosto. Itu [Estado de São Paulo], lá por essa altura da nossa história, era uma cidade perdida no interior, habitada por gente patriarcal, atarefada com as questões da terra, com assuntos chãos", define o crítico José Maria dos Reis Júnior em sua História da Pintura no Brasil de 1944. Desde a mais tenra idade o menino Jujiquinha, como era carinhosamente chamado pela família, mostra forte inclinação artística. Começa a pintar como autodidata, por influência de seu pai, José Ferraz de Almeida, fazendeiro, mas com pendores artísticos. Desde os bancos escolares revela muito jeito para o desenho. Instintivamente, sem qualquer mestre para orientá-lo, pinta a imagem do Apóstolo São Paulo. "Nasceu pintor. Não precisou de pretexto exterior para acordar sua sensibilidade pictórica", completa José Maria dos Reis Júnior. E prossegue: "Foi ali, em pleno interior, que seu temperamento se formou. Foi ali, só, sem influência estranha, que a criança caipira recebeu os estigmas perduráveis da terra, os quais calaram fundo e perenemente em sua sensibilidade; foi ali, em contato com essa gente rude e simples, imbuída de ardentes sentimentos cívicos, que adquiriu as virtudes essenciais da alma brasileira, e foi ali que seu caráter se formou no amor do que é nosso". Quando era sineiro da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, em sua cidade natal, o padre Miguel Correa Pacheco, é seu grande incentivador. Sensibilizados, parentes, amigos e admiradores do jovem pintor, liderados pelo padre Miguel Correa Pacheco, obtém em 1869, numa coleta pública, o dinheiro necessário para que, em 1870, o futuro artista - então com cerca de 19 anos de idade - possa embarcar para o Rio de Janeiro para estudar Desenho com Jules Le Chevrel e Pintura com Victor Meirelles na Academia Imperial de Belas-Artes. Também instituem uma pensão mensal, para sustentá-lo durante o curso. Seu jeito de caipira, linguajar matuto e roupas de roceiro são a principal diversão dos colegas durante o curso. No dizer de Gastão Pereira da Silva, "era o mais autêntico e genuíno representante do tradicional tipo paulista. Mas sem nenhum traquejo de homem de cidade. Falava como os primitivos provincianos e, tal qual estes, vestia-se, andava, retraía-se. Mas isso não impediria que tivesse um aprendizado de três anos brilhantíssimo, principalmente em Anatomia, durante o qual conquista, supreendentemente, três Menções Honrosas, quatro Medalhas de Prata e duas de Ouro, em Desenho Figurado, Pintura Histórica e Modelo Vivo, inclusive, e, em 1874, a Grande Medalha de Ouro, com o quadro Ressurreição do Senhor". O temperamento retraído e interiorano, simples e modesto, instintivamente o leva a preferir temas populares e rurais. Conclui o curso da Academia em 1874, com o Primeiro Prêmio, destacando-se pela qualidade dos trabalhos realizados, como comprovam as condecorações recebidas em sua formação nas disciplinas Desenho Figurado, Pintura Histórica e Modelo Vivo e a Medalha de Ouro com a tela Belizário Esmolando, na última participação como aluno na Exposição Geral de Belas-Artes da Academia Imperial. Em 1875, embora estivesse inscrito, desiste de concorrer ao Prêmio Viagem ao Exterior e retorna à sua terra natal, onde passa a oferecer seus serviços de pintor e professor de desenho em ateliê próprio. E põe-se a trabalhar: datam dessa época A Ressurreição, O Belisário e um Cupido. Mas o destino anda, mesmo à sua revelia e o artista atende a uma série de encomendas, principalmente retratos. Entre estes, o do comendador Antônio Queiroz Telles, presidente da Estrada de Ferro Mogiana e o de Antônio Pinheiro de Ulhôa Cintra, vice-presidente da Província de São Paulo. Nesse mesmo 1875, a propaganda republicana está em curso - talvez até com a simpatia íntima do Imperador - a lei do Ventre Livre está promulgada e intensifica-se a campanha pela abolição. Liberais e conservadores lutam veladamente pelo poder. Estes fatos políticos levam o Imperador D. Pedro II a Itu, ocasião em que se surpreende pela qualidade do Retrato do Comendador Antônio de Queiroz Telles, pintado por Almeida Júnior. De prodigiosa memória, o Imperador lembra de um jovem pintor que Le Chevrel havia lhe apresentado efusivamente na Academia. Pergunta pelo artista e, em resposta, informam-lhe que ele está trabalhando em Mogi-Mirim/SP. Como ia para aquela cidade inaugurar a Estrada de Ferro Mogiana, o Imperador manda avisar o pintor para apresentar-se nessa mesma ocasião. Sua Majestade concede-lhe, então, uma principesca pensão de 300 francos, para que vá aperfeiçoar-se na Europa, a exemplo do que já havia feito com Pedro Américo e Victor Meirelles, medida formalizada a 23 de março de 1876, com o decreto da Mordomia da Casa Imperial, que lhe abre crédito. Segue para a Europa em 4 de novembro de 1876, a bordo do navio francês Panamá. Logo que chega a Paris, reside, por pouco tempo, na rua Turgot, 22, ao pé da colina de Montmartre, região de forte presença artística e boêmia - esta casa muito velha já naquela época, acaba por ruir em meados do século XX. Há registro de que teria pintado 16 telas com cenas de Montmartre, mas os trabalhos não foram encontrados. Dali transfere-se para um endereço próximo, rua Montholon 30, onde residiria até o fim desta primeira estada parisiense. Instala seu ateliê particular na mansarda desse prédio e lá onde pinta diversas obras com as quais presenteia seu mecenas, o imperador D. Pedro II (a fachada desse prédio está ainda hoje preservada como no século passado, mas seu interior foi totalmente remodelado para abrigar a associação francesa dos pensionistas e aposentados do comércio agro-industrial). Almeida Júnior não ingressa diretamente na École Nationale Supérieur des Beaus-Arts: decide primeiro aprimorar-se por dois meses no ateliê de Alexandre Cabanel, de formação neoclássica - movimento inspirado nas grandes descobertas arqueológicas na Grécia, Itália e Oriente Médio, e que agita as artes no fim do século XIX, início do XX. Em março de 1878, finalmente, presta o exame e passa em 42° lugar entre os 181 candidatos pré-selecionados que disputaram 70 cadeiras de Pintura. Um grande feito, considerando-se que, entre os concorrentes havia pintores do quilate de Theodore Robinson, conhecido pintor norte-americano que se aproximou do Impressionismo. Estuda três anos na academia, com o próprio Cabanel e com Lequien Fils. Aperfeiçoa-se tecnicamente e ainda conquista, durante o curso, Medalhas de Terceiro Lugar em Anatomia e Desenhos de Ornatos e Menção Provisória na mesma Escola. Participa da mais valorizada exposição oficial de arte do período, o Salon Officiel des Artistes Français, durante quatro anos consecutivos (1879 a 1882), fato significativo, levando-se em conta que era estrangeiro. Há pouco registro sobre o período que envolve sua primeira estada em Paris. Dele restam, todavia, as telas Arredores de Paris e Arredores do Louvre e, sobretudo, as grandes composições com as quais participou do Salão francês de 1880 (Derrubador Brasileiro e Remorso de Judas); do salão de 1881 (Fuga para o Egito); e do de 1882 (Descanso do Modelo), admiráveis trabalhos realistas. É curioso observar que à falta de um autêntico caboclo paulista para executar sua tela Derrubador Brasileiro, Almeida Júnior toma como modelo um jovem italiano de nome Mariscalo. Sérgio Milliet, em seu livro Pintores e Pinturas, confirma que Almeida Júnior retorna "[...] ao Brasil absolutamente virgem de quaisquer influências dessa ordem [...] O caso tanto se explicaria por uma resistência voluntária do pintor, reveladora de vigorosa personalidade, como pela carência de cultura ou ausência de curiosidade. Como quer que seja, tenha ou não tomado conhecimento das lutas pictóricas, não há como negar a felicidade de ter Almeida Júnior se frustrado às seduções do Impressionismo. Com isso, ganhamos um pintor genuinamente brasileiro, dono de uma técnica serena, despretensiosa e segura. Sem grande imaginação, em verdade, sem sutilezas nem pelotiquismos, foi o ituano um artista profundamente honesto e pessoal". Entretanto, há quem identifique esses novos rumos em Remorso de Judas, Derrubador Brasileiro, Caipiras Negaceando, Fuga para o Egito e Partida da Monção, as duas últimas impregnadas da luminosidade e do arejamento impressionista. Inteligente e estudioso, tendo realizado grandes progressos em Paris, Almeida Júnior em momento algum perde seu jeito displicente de matuto. Segue no mesmo ano para Roma, onde permanece por dois anos e produz uma série de obras com temas sacros, destacando-se Conversão de São Paulo, Jesus Crucificado, Assunção da Virgem, Cristo no Horto e Batismo de Jesus. Em 1882, ainda na Itália, encontra os irmãos Henrique e Rodolpho Bernardelli. Ao Visconde de Nioac, representante brasileiro em França, que um dia lhe recrimina sobre sua maneira de falar, de vestir e de ser, responde, indignado, que jamais abandonará seus hábitos interioranos, nem nunca renegará sua origem. Nas horas de folga da pintura, entrega-se longamente ao piano e chega a compor algumas músicas. Não admira, pois, que no Descanso do Modelo ele esteja aplaudindo a jovem modelo que, desnuda da cintura para cima, dedilha displicentemente o teclado. Retorna ao Brasil em 1882 e apresenta sua primeira individual nas dependências da Academia Imperial de Belas-Artes/RJ, mostrando seis trabalhos executados na França, entre outros, Fuga para o Egito, Pendant Le Repos... e Remorso de Judas. Recebe sua primeira aprovação pública: a Academia Imperial adquire três das seis obras exibidas. Inicia-se, então, um período de grande prestígio e premiações. Nessa mesma ocasião, recusa a cátedra de Pintura na Academia Imperial, que já o elegera Professor Honorário. O sucesso da mostra, entretanto, não impede que o artista, saudoso de sua origem, retorne imediatamente para Itu. Em 1883, instala ateliê em São Paulo, na Rua da Glória 56-A, hoje demolido, atrás do Teatro São José, onde residiria até morrer. Torna-se, então, um dos responsáveis pelo amadurecimento do tacanho meio artístico paulista, pois, além de estabelecer uma relação mais moderna com o mercado local, promove inovadoras vernissages exclusivas para imprensa e potenciais compradores. "Realista, os personagens do pintor são gente de carne e osso, que conheceu pessoalmente, gente que tinha nome, comia, vivia, amava. Assim, o modelo para Picando Fumo era um tipo popular de Itu, o Quatro Paus; e a mulher que aparece escutando O Violeiro era figura notória da cidade, misto de enfermeira e dançarina num cabaré local. De inspiração outra são, evidentemente, as várias figurações de Maria Laura, sua paixão, ao longo de sua produção: Maria Laura é A Noiva (1886); ela é quem simboliza A Pintura, no quadro de 1892, hoje na Pinacoteca de São Paulo; aparece, também, na Leitura, de 1892; quem sabe se também em O Importuno, de 1898; ou em Saudade, de 1899; quando não em Repouso, sensual figura de uma jovem adormecida, em meio à leitura, vendo-se o alvo seio que escapa dos rendilhados da camisola entreaberta. No que respeita, aliás, aos aspectos psicológicos da arte de Almeida Júnior, homem tímido e retraído, mas paradoxalmente ousado", afrontando a tudo e a todos, quando trata de seu amor por Maria Laura. O crítico de arte José Roberto Teixeira Leite, ensina em seu Dicionário Crítico, que "Tecnicamente, pode-se dividir sua carreira de artista em duas fases, antes e depois de 1882. Na fase inicial, a palheta é sóbria e o modelado de extrema simplicidade, com apelo a recursos de luminosidade que de longe evocam os pré-impressionistas e a uma fatura gorda, empastada; na segunda fase a palheta se aclara e enriquece de novos matizes, a pasta pictórica é utilizada com maior parcimônia, enquanto, tematicamente, o assunto brasileiro faz sua aparição, externado numa linguagem plástica das mais pessoais e mais bem articuladas surgidas entre nós". Assim, o artista retoma seu tema preferido: a realidade de sua terra, a vida interiorana paulista. Pouco a pouco, em contato com a terra e os habitantes, Almeida Júnior substitui os temas bíblicos pelos regionais, pelos aspectos simples de sua provinciana Itu: nada irá separá-lo da província, mesmo porque continua perdidamente apaixonado por sua antiga noiva (agora casada com outro) Maria Laura do Amaral Gurgel, que lhe corresponde à paixão e a quem retratará várias vezes, nos traços de seus personagens femininos. Em 1884, o artista apresenta, na Seção Pintura da XXVI Exposição Geral de Belas-Artes da Academia Imperial/RJ, quatro dos seus maiores triunfos - a Fuga, o Derrubador, o Descanso e o Remorso. Nesta ocasião, Gonzaga Duque afirma ser Almeida Júnior "o mais pessoal e, sem dúvida, um dos que melhor sabem expressar, com toda clareza e nitidez de um estilo à Breton, os assuntos tomados de improviso a uma página da Bíblia, da História, ou simplesmente da vida de todos os dias e de todos os homens". Entre 1884 e 1887, ensina pintura a Pedro Alexandrino e a outros amadores. Em 1885 é agraciado com a Ordem Imperial da Rosa por D. Pedro II, no grau de Cavaleiro, por sua fidelidade ao Imperador e por brilhantes serviços prestados ao país. Em 1886, recebe convite de Victor Meirelles para ocupar sua vaga de professor de Pintura Histórica na Escola Nacional de Belas-Artes, mas não aceita. A tela A Noiva, pintada nesse mesmo ano, retrata Maria Laura por ocasião de seu casamento com seu primo José de Almeida Sampaio, que, treze anos depois, assassinaria Almeida Júnior. Aliás, os três personagens eram primos entre si, endogamia comum naquele período. Entre 1888 e 1898, produz com alegria nalma, poesia e satisfação sentimental, as cenas mais humildes da vida cabocla. É o rigorismo acadêmico de sua formação bloqueando a evolução espontânea de seus sentimentos. Nascem-lhe as grandes composições regionalistas, que hoje lhe garantem prestígio talvez superior às pinturas realizadas na França: Caipiras Negaceando, Cozinha Caipira, Amolação Interrompida, Picando Fumo, O Violeiro. Pinta, ainda, mas com menor intensidade, paisagens de Itu, Piracicaba e Votorantim, sem falar nos incontáveis retratos. Sua tela Caipiras Negaceando, conquista a Medalha de Ouro na exposição de Chicago de 1888 - este trabalho hoje está no acervo do Museu Nacional de Belas-Artes/RJ. Em outubro de 1891, a bordo de um navio, Almeida Júnior responde no álbum da filha do Conselheiro Antonio Prado à seguinte questão: Le trait principale de votre trait? Resposta do pintor: Timidité. Realmente, sua personalidade discreta e retraída é confirmada com a opinião dos que o conheciam: "Almeida era tímido, calado e pouco se relacionava com os demais" (Rodolpho Amoêdo, pintor e colega de Almeida Júnior). "Era um tipo moreno de cabelos negros, estatura média, barba escassa e olhos pardos; retraído do bulício, cismador, contemplativo" (Ezequiel Freire, poeta, que conviveu com Almeida Júnior). "[...] Era um modesto, era quase um tímido, mas não há, entre os pintores brasileiros, nenhum que lhe leve a palma. Havia, sob aquela aparência desprimorada de caipira descuidado, a chama ardente de uma alta inspiração e um gosto apuradíssimo" (texto publicado na primeira página d'O Estado de S. Paulo de 14/09/1899). Nesse mesmo 1891, inicia as aulas de Pintura a Pedro Alexandrino, que com ele estudaria durante oito anos. Em 1895, o artista expõe em seu ateliê na Rua da Glória em São Paulo, juntamente com o aluno e amigo Pedro Alexandrino. Em 1896 está novamente a caminho da Europa, desta vez acompanhando de Pedro Alexandrino, que iria iniciar seu estágio europeu com bolsa de estudos do Governo do Estado de São Paulo. Em 1898, Almeida Júnior se reúne no Grêmio 6 de Janeiro com intelectuais de São Paulo, visando o prestígio das artes em todas as modalidades. Infelizmente, a vida e a carreira do artista são tragicamente interrompidas a 13 de novembro de 1899, quando cai apunhalado, diante do Hotel Central de Piracicaba, por José de Almeida Sampaio, seu primo e marido de Maria Laura, que acabara de descobrir a ligação amorosa que existia, havia longos anos, entre sua mulher e o pintor. Ironicamente, o assassino e o pivô do crime estão retratados na tela Piquenique no Rio das Pedras, desse mesmo ano. Embora tivesse morrido solteiro, reconhece em testamento como sendo seu filho o artista plástico, professor e diretor da Escola de Belas-Artes de Araraquara/SP, Mário Ybarra Almeida (1893-1952), que teve com a paulistana Rita de Paula Ybarra, sua modelo em vários nus. O corpo do artista está enterrado em Piracicaba/SP. Apesar das distinções críticas, a vida e obra de Almeida Júnior não são honradas como deveriam, como de sorte também não são devidamente honrados pela memória nacional outros heróis do país. Intransigente quanto ao abandono de suas origens e de seu jeito interiorano de ser, o artista aparece de forma marcante no fim do século, exatamente por não aderir aos movimentos artísticos em voga, chocando - sociedade e crítica - por preferir temas genuinamente brasileiros, sua maior contribuição, atitude sequer pensada por artistas da época. Almeida Júnior legou à cultura brasileira cerca de apenas 300 obras.

Honrarias & Distinções
 Em 1884 é agraciado por D. Pedro II com a Ordem Imperial da Rosa, no grau de Cavaleiro, por ocasião da XXVI Exposição Geral de Belas-Artes da Academia Imperial, Rio de Janeiro.
 Em sua homenagem, o dia do Artista Plástico Brasileiro é comemorado a 8 de maio, data de seu nascimento.
 Incontáveis escolas e ruas de cidades de todo o país levam o nome do artista.
Individuais
Em 1882, apresenta seis trabalhos produzidos na Europa - entre eles Fuga para o Egito, Pendant Le Repos... e Remorso de Judas - na Academia Imperial de Belas-Artes/RJ; em 1884, apresenta em São Paulo uma grande individual, quando expõe quatro dos seus maiores triunfos: Fuga para o Egito, Pendant Le Repos..., Derrubador Brasileiro e Remorso de Judas; em 1885, Casa Garraux/SP e Almeida Júnior e Pedro Alexandrino, individual conjunta no ateliê do primeiro, na Rua da Glória, em São Paulo; em 1897, primeira exibição pública da obra Partida da Monção na Rua do Paredão (atual Xavier de Toledo), em São Paulo; em 1899, Escola Nacional de Belas-Artes/RJ.
Póstumas
Em 1950, Exposição Comemorativa do Centenário do Nascimento de Almeida Júnior, organizada pelo Governo do Estado de São Paulo; em 2000, Almeida Júnior, um Artista Revisitado, comemorativa dos 150 anos do nascimento do artista, com curadoria de Emanuel Araújo, na Pinacoteca do Estado de São Paulo e A Figura Humana na Coleção Itaú no Itaú Cultural/SP; em 2001, Trajetória da Luz na Arte Brasileira no Itaú Cultural/SP; em 2005, Pintores Brasileiros na Coleção do Masp: Almeida Júnior na Estação Trianon-Masp do Metrô de São Paulo.
Coletivas
Em 1871 e 1872, Coletivas de Alunos da Academia Imperial de Belas-Artes; em 1874, coletiva dos alunos da Academia Imperial de Belas-Artes/RJ; em 1884, apresenta A Fuga da Sagrada Família para o Egito (tela oferecida a D. Pedro II, depois doada à Pinacoteca da Academia), O Descanso do Modelo, O Remorso de Judas Iscariotes e O Derrubador Brasileiro na Seção Pintura da XXVI Exposição Geral de Belas-Artes da Academia Imperial/RJ; em 1889, XXX Exposição Geral de Belas-Artes/RJ; em 1894, na I Exposição Geral de Belas-Artes da República, apresenta Amolação Interrompida, Picador de Fumo, Pescaria, A Pintura (alegoria), Salto Votorantin e Estudo de Cabeça; em 1895, II Exposição Geral de Belas-Artes e/RJ; em 1897, IV Exposição Geral de Belas-Artes/RJ; em 1898, V Exposição Geral de Belas-Artes/RJ, quando apresenta Água Represada, Cabeça de Estudo, Futuro Artista, Lavadeiras, Estrada, Importuno, Mamão, Mendigo, Piquenique no Rio das Pedras, Saudade, Violeiro e A Partida da Monção; em 1899, apresenta O Importuno, Piquenique no Rio das Pedras e mais seis obras na VI Exposição Geral de Belas-Artes/RJ.
Póstumas
Em 1900, Almeida Júnior - Homenagem da Comissão de Amigos, organizada pelo Dr. José Maurício Sampaio Viana em São Paulo, com 130 telas - a importância arrecadada foi destinada para a construção de um monumento em memória do artista; em 1905, Sala Almeida Júnior, exposição permanente das obras do artista na Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP; em 1940, Obras dos grandes mestres da pintura e seus discípulos em São Paulo/SP e VII Salão Paulista de Belas-Artes; em 1943, Pintura Religiosa no Museu Nacional de Belas-Artes/RJ; em 1946, XII Salão Paulista de Belas-Artes/SP; em 1948, Retrospectiva da Pintura no Brasil no Museu Nacional de Belas-Artes/RJ; em 1950, Um Século da Pintura Brasileira (itinerante por Bahia, Pernambuco e Paraíba) e Centenário do Nascimento de Almeida Júnior - comemoração organizada pelo governo do Estado de São Paulo São Paulo (itinerante por Itu, Piracicaba, Campinas, Araraquara, Marília, Guaratinguetá, todas no Estado de São Paulo, e Rio de Janeiro; em 1952, Um Século de Pintura Brasileira (1850-1950) no Museu Nacional de Belas-Artes no Rio de Janeiro/RJ; em 1953, A Paisagem Brasileira até 1900 Sala Especial na II Bienal Internacional de São Paulo; em 1954, artista homenageado no I Salão de Belas Artes de Piracicaba/SP; em 1960, artista homenageado no XXV Salão Paulista de Belas-Artes/SP; em 1970, Pinacoteca do Estado de São Paulo 1970 na própria instituição; em 1976, artista homenageado no I Salão de Artes Plásticas de Itu/SP, apresentado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Nossa Senhora do Patrocínio daquela cidade e O Retrato na Coleção da Pinacoteca na Pinacoteca do Estado de São Paulo; em 1978, A Paisagem na Coleção da Pinacoteca na Pinacoteca do Estado de São Paulo; em 1980, A Paisagem Brasileira: 1650-1976 no Paço das Artes/SP; em 1981, Acervo da Pinacoteca do Estado de São Paulo na Sala Miguel Bakun e no Solar do Rosário, ambas em Curitiba/PR; em 1983, Projeto Releitura na Pinacoteca do Estado de São Paulo; em 1984, Lembrando Nosso Pintor Ituano em seu 134º Aniversário na Carlos Magazine em Itu/SP e Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras na Fundação Bienal/SP; em 1985, 100 Obras Itaú no Museu de Arte de São Paulo/SP e XVIII Bienal Internacional de São Paulo; em 1986, Dezenovevinte: uma virada no século na Pinacoteca do Estado de São Paulo e Seis Tempos: 80 anos na Pinacoteca do Estado de São Paulo; em 1987, O Brasil Pintado por Mestres Nacionais e Estrangeiros: séculos XVIII-XX no Museu de Arte de São Paulo; em 1988, Brasiliana: o homem e a terra na Pinacoteca do Estado de São Paulo; em 1989, Arte Brasileira dos Séculos XIX e XX nas Coleções Cearenses: Pinturas e Desenhos no Espaço Cultural da Unifor em Fortaleza/CE; em 1990, Almeida Júnior: 140 anos no Centro Cultural Patrícia Galvão em Santos/SP; em 1991, O Desejo na Academia: 1847-1916 na Pinacoteca do Estado de São Paulo; em 1992, Almeida Júnior na Pinacoteca na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Natureza: Quatro Séculos de Arte no Brasil no Centro Cultural Banco do Brasil/RJ e Semana Almeida Júnior no Espaço Cultural Almeida Júnior em Itu/SP; em 1994, Um Olhar Crítico sobre o Acervo do Século XIXna Pinacoteca do Estado/SP; em 1998, Iconografia Paulistana em Coleções Particulares no Museu da Casa Brasileira/SP e Imagens Negociadas: Retratos da Elite Brasileira no Centro Cultural Banco do Brasil/RJ; em 2000, artista homenageado no LI Salão Paulista de Belas-Artes, A Figura Humana na Coleção Itaú no Itaú Cultural/SP, Almeida Júnior: um artista revisitado comemorativa dos 150 anos do nascimento do artista na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil + 500 Mostra do Redescobrimento. Arte do Século XIX e Negro de Corpo e Alma na Fundação Bienal/SP e De Frans Post a Eliseu Visconti: Acervo do Museu Nacional de Belas-Artes/RJ no Museu de Arte do Rio Grande do Sul em Porto Alegre; em 2001, 30 Mestres da Pintura no Brasil no Museu de Arte de São Paulo/SP e Trajetória da Luz na Arte Brasileira, no Itaú Cultural/SP; em 2002, Barão do Rio Branco: sua obra e seu tempo no Palácio do Itamaraty do Ministério das Relações Exteriores em Brasília/DF e Imagem e Identidade: um olhar sobre a história na coleção do Museu de Belas Artes no Instituto Cultural Banco Santos/SP; em janeiro de 2007, Almeida Júnior, um Criador de Imaginários na Pinacoteca do Estado de São Paulo/SP; em julho de 2009, Arte na França 1860-1960: O Realismo no Museu de Arte do Rio Grande do Sul em Porto Alegre/RS.
Internacionais
Em 1879, Salon Officiel des Artistes Français; em 1880, apresenta Derrubador Brasileiro e Remorso de Judas no mesmo salão; em 1881, submete Fuga para o Egito no mesmo salão; e, em 1882, expõe O Descanso do Modelo no mesmo salão, com elogios da crítica parisiense; em 1888, apresenta Caipiras Negaceando em exposição em Chicago; em 1893, Exposição Internacional Colombiana em Chicago.
Póstumas
Em 1966, Arte da América Latina desde a Independência, itinerante por museus e cidades norte-americanas.
Prêmios
Em 1871, surpreendentemente - uma vez que ainda é aluno -, merece a Medalha de Prata e Pequena Medalha de Ouro em Desenho Figurado na Academia Imperial de Belas-Artes/RJ; em 1872, Medalha de Ouro em Pintura Histórica e Medalha de Prata em Modelo Vivo na mesma Academia; em 1874, seu quadro Ressurreição do Senhor merece a Grande Medalha de Ouro na última participação como aluno na Exposição Geral de Belas-Artes da Academia Imperial; em 1882, a Academia Imperial de Belas-Artes adquire para sua Pinacoteca três das seis obras expostas no Rio de Janeiro após seu retorno da Europa; entre 1890 e 1899, ganha vários Prêmios Aquisição na Escola Nacional de Belas-Artes; em 1888, sua tela Caipiras Negaceando, do mesmo ano, conquista Medalha de Ouro na exposição de Chicago; em 1893, Medalha de Ouro na Exposição Internacional Colombiana em Chicago.
Acervos
 Igreja Matriz de Itu/SP [Retrato do Padre Miguel, mais dois quadros], Brasil
 Igreja Matriz Nossa Senhora da Candelária em Itu/SP [Retrato do Padre Miguel Corrêa Pacheco, Jesus no Horto e Apóstolo São Paulo], Brasil.
 Museu de Arte de São Paulo [Monge Capuchinho, Retrato de Belmiro de Almeida, Moça, Ateliê do Artista e Paisagem], São Paulo, Brasil.
 Museu Nacional de Belas-Artes [Descanso do Modelo (1882), Caipiras Negaceando (1888), Derrubador Brasileiro (1879) e Fuga da Sagrada Família para o Egito (1899)] Rio de Janeiro, Brasil.
 Museu Paulista do Ipiranga [A Partida da Monção, composição de grande dimensão encomendada pela municipalidade de São Paulo] São Paulo, Brasil.
 Museu Republicano de Itu/SP [Retrato do Pe. Miguel Corrêa Pacheco], Brasil.
 Pinacoteca do Estado de São Paulo [Caipira Picando Fumo (1893), Violeiro (1899), Leitura, Amolação Interrompida, Cozinha Caipira, Apertando o Lombilho, Paisagem do Sítio das Pedras, O Importuno (1898) e Retrato de D. Joana Liberal da Cunha (1892), entre outros], São Paulo, Brasil.

fonte : Julio Louzada em 02/07/2010

 
Fonte: Catálogo das Artes - 30/06/2007

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