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Artista : Alfred Manessier
 
   
 
   
 
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BIOGRAFIA
 
Manessier, Alfred
Saint-Ouen, Somme, França , 1911
Orleans, França, 1993


Integrante do grupo de Jovens Pintores de Tradição Francesa, combina o resgate da arte tradicional com a inovação do Expressionismo Abstrato. Suas obras, de caráter religioso e medieval, primam pelo jogo de cores e pelas diversas sensações ópticas, gerando uma releitura e uma multiplicação de possibilidades na pintura francesa. Expoente da década de 1940, sua produção passa por incríveis modificações no pós-guerra, afirmando-se, na década seguinte, como um dos pintores mais autênticos do Abstracionismo Lírico do pós-Segunda Guerra.
Além dos estudos na Escola de Belas-Artes de Paris, a partir de 1929, desenvolve seu talento copiando grandes pintores no Louvre e freqüentando o grupo de artistas de Montparnasse. O convívio com Robert Delaunay, artista fundador do Orfismo, consagrado por suas inovações cromáticas, introduz Manessier no jogo de luz e cor, desenvolvido com grande talento pelo jovem pintor. No entanto, seu grande mestre na Arte Abstrata é Roger Bissière, com o qual convive na Academia Ranson, a partir de 1935. Ao longo da década de 1930, sua obra carrega grande influência do Surrealismo e da filosofia existencialista, que dão ao seu trabalho sustentação teórica, assim como do Cubismo, na constituição formal de suas figuras. Em 1941, é um dos fundadores do Le Salon du Temps Présent, juntamente com outros artistas como Jean Bazaine, Gustave Singer e Jean Le Moal, que também viriam integrar a exposição 20 Jovens Pintores de Tradição Francesa, neste mesmo ano. Grande parte do grupo é reunida novamente em 1943, na exposição Douze peintres d`aujourd`hui, na Galerie de France. A participação de Manessier nestes eventos comprova a qualidade e a pertinência de seu trabalho dentro do diálogo artístico da época.
Ainda durante os anos da guerra, Manessier adota posições cada vez mais diversificadas, em relação aos demais pintores de sua geração. Na década de 1950, o pintor intensifica sua religiosidade e opta pelo recolhimento no convento dos monges trapistas. Sua obra obedece uma orientação mística e espiritual, de caráter não-figurativo, com o mergulho profundo em si mesmo. Expoente do Expressionismo abstrato na Escola de Paris, assume a abstração lírica em todas as suas obras. O interesse pela arte sacra faz com que o artista resgate a tradição gótica francesa e elabore vitrais e tapeçarias, com um rigor geométrico semelhante ao cubista. Mas sem a monotonia e a frieza, suas abstrações jogam com as cores e causam no espectador uma sensibilidade intensa e harmoniosa do real.
Dentro da tendência de combinar tradição e modernidade, Manessier demonstra autenticidade em suas pinturas, simbolizando, no entanto, a ruptura que vem com o pós-guerra. O reconhecimento da importância de sua obra para a Arte Contemporânea internacional vem com o prêmio de pintura, conquistado na Bienal de São Paulo, em 1953. Na década de 1960, privilegia os vitrais e as tapeçarias, em detrimento da pintura. A tendência intimista e mística de sua personalidade o afasta do cenário artístico, vivendo recolhido até 1993, quando morreu aos 81 anos.


Carolina Amaral de Aguiar
Daisy Peccinini
Mac
 
19/02/2007

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